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Mostrando postagens de outubro, 2018

03 - A Irmãzinha

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Não recordo de nada com relação à barriga de gestante da minha mãe. Tanto que marcou mais o nascimento da minha irmã caçula, mas não a gestação em si (que inclusive é mais demorada e portanto mais fácil de ser lembrada). Provavelmente devo ter perguntado qualquer coisa. E esta é a prova que a gente não precisa dar grandes explicações às crianças. Seja objetivo com as respostas, sem muita enrolação. Acho que perguntei e não guardei (ou aguardei) a resposta. Crianças estão sempre correndo, brincando. No dia que minha irmã nasceu estávamos ansiosos por conhecê-la e lembro de descer as escadas de casa correndo e gritando o nome dela, lindo, composto, como se fôsse uma música. Corri pro carro e nosso pai nos levou - meu irmão e eu - ao hospital para ver a maninha recém chegada. Anos mais tarde soube que tinha sido um parto complicado, que minha irmã tinha recebido injeções de penicilina e teve reações graves, de forma que ficou com cicatrizes grandes e doloridas pra sempre....

01 - Dois Fragmentos

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As mais remotas lembranças que me vem à memória são como um filme em P&B. Cenas de uma infância ingênua, um pouco feliz, com peraltices, medos, gripes, invernos, alergia às picadas das formigas, nariz assado, um pêssego maravilhoso que tive de jogar fora (Não aceite nada de estranhos, muito menos da "velha papuda", dizia minha mãe! A "velha papuda" era uma mendiga que tinha bócio - tireóide aumentada - e a referência à esta senhora era recurso muito usado pra "tocar o terror" na criançada da minha época.), um circo com elefante chegando e desfilando pelas avenidas da cidade (claro que eu segui, claro que veio a bronca), o nascimento da minha irmã caçula. Estes fatos ocorreram quando eu tinha entre 3 e 6 anos de idade. Eu era a filha do meio, dos três que nossos pais tiveram, com um intervalo de quatro anos entre meu irmão mais velho e eu, e três anos e cinco meses entre eu e minha irmã caçula. Destas lembranças, fragmentos de duas que marcaram...

02 - O Elefante

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Os circos de antigamente carregavam - além dos palhaços, equilibristas, etc - animais. Crianças pobres de uma cidade do interior, distantes da capital e de um zoológico, sem TV e com poucos livros tinham pouquíssima chance de ver um elefante ao vivo. Mas eu vi e, junto com meu irmão mais velho, corremos atrás da procissão que acompanhava a trupe e o elefante. O curioso é que esta cena me chega à memória em preto e branco. Por que? Uma das razões, possivelmente, é por ter visto muitas fotografias em P&B naquele época. E as únicas cores que tinham as fotografias era dada artesanalmente, pelo fotógrafo, em pós edição - nada de ferramentas digitais, gente, era no lápis preto, no pincel e na aquarela. Nossa mãe era fotógrafa. Lembro das orelhas enormes, da tromba, daquele corpo pesado e cinza andando vagarosamente! Que criança não ficaria fascinada? Medo? Pelo visto nenhum, porque corremos atrás, junto com a pequena multidão que seguia com eles (a minha "pequena multidão...