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06 - O Natal e as Cigarras

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Que o Natal é uma época mágica pras crianças ninguém duvida. Até para aquelas mais pobrezinhas, que aguardam ansiosamente que o Papai Noel lembre delas. Na minha infância não era diferente. Nossa mãe se esmerava na escolha da árvore (que era uma pequena araucária) e na sua decoração, na montagem do presépio. Naquele tempo, as bolinhas que enfeitavam a árvore eram de vidro e, fininhas, quebravam muito facilmente. Uma pena eu não ter guardado algumas, tão lindas! Uma delas era especialmente cuidada pois em seu interior tinha um pequeno presépio esculpido. Estava na árvore todos os anos, num ponto de destaque, facilmente localizado e muito apreciado por mim. Lembro do uso de cordões de luzes coloridas só na minha adolescência. Até então, tinha uma espécie de prendedor de metal (parecido com prendedor de roupas) que na parte superior tinha um espaço para colocar uma vela pequena - era possível comprar caixinhas com dez ou doze velinhas coloridas que espalhávamos pelos galhos do ...

05 - Memórias relembradas em conversas...

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Oi pessoinhas! Hoje estava conversando com uma vózinha - que gosto muito - sobre a infância e juventude dela, e fui surpreendida por umas histórias que também ouvi de minha mãe e estavam esquecidas em alguma gavetinha. Bom, na falta da avó das minhas filhas, cabe a mim repassar estes fatos. E, então, pergunto: o que você acha que são os ítens da imagem acima e para que servem? Eu mesma nunca vi. Fiz uma pesquisa rápida no google e foi o q eu consegui encontrar. Suspeito que esses eram os cadernos que minha mãe (e a vózinha) usavam quando criança, ao frequentar a escola. A vó, do alto de seus 80 anos (idade próxima do que minha mãe teria se estivesse viva), ainda lembra detalhes dos seus seis meses de escola. Sim, esse foi o período que ela frequentou a escola, pulando alguns dias porque precisava ajudar os pais na lavoura e na lida com os animais, com aproximadamente 12 anos de idade. Já minha mãe, sei que frequentou até a quarta série do Ensino Fundamental. De fato, o conhecim...

04 - Mãe

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Comentando ontem com minha irmã e minhas filhas sobre o aniversário de minha mãe - hoje ela completaria 83 anos de idade - fui cobrada pela primogênita pra contar mais de como era a avó delas. Então, vamos lá. A memória da gente é uma coisa meio louca, nos prega peças, cria histórias, realmente não é muito de confiança. Mas algumas coisas dela eu lembro com exatidão, como o cheiro que a mãe tinha. Minha mãe tinha cheiro de chimarrão (mate, erva-mate). O hálito dela era esse... Ela adorava a bebida e bebia chá até com leite, na falta de café. O abraço dela tinha esse cheiro gostoso, e acho que por isso não consigo largar desta bebida também. Não é apenas tradição de gaúchos. Pra mim vai além, pra mim traz conforto, como um abraço e, apesar de ser uma bebida normalmente consumida entre mais de uma pessoa, me habituei a tomar sozinha também. É um elo com o passado, com as lembranças mais antigas que guardo da infância, mas também uma ligação de afeto, de aconchego. ...

03 - A Irmãzinha

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Não recordo de nada com relação à barriga de gestante da minha mãe. Tanto que marcou mais o nascimento da minha irmã caçula, mas não a gestação em si (que inclusive é mais demorada e portanto mais fácil de ser lembrada). Provavelmente devo ter perguntado qualquer coisa. E esta é a prova que a gente não precisa dar grandes explicações às crianças. Seja objetivo com as respostas, sem muita enrolação. Acho que perguntei e não guardei (ou aguardei) a resposta. Crianças estão sempre correndo, brincando. No dia que minha irmã nasceu estávamos ansiosos por conhecê-la e lembro de descer as escadas de casa correndo e gritando o nome dela, lindo, composto, como se fôsse uma música. Corri pro carro e nosso pai nos levou - meu irmão e eu - ao hospital para ver a maninha recém chegada. Anos mais tarde soube que tinha sido um parto complicado, que minha irmã tinha recebido injeções de penicilina e teve reações graves, de forma que ficou com cicatrizes grandes e doloridas pra sempre....

01 - Dois Fragmentos

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As mais remotas lembranças que me vem à memória são como um filme em P&B. Cenas de uma infância ingênua, um pouco feliz, com peraltices, medos, gripes, invernos, alergia às picadas das formigas, nariz assado, um pêssego maravilhoso que tive de jogar fora (Não aceite nada de estranhos, muito menos da "velha papuda", dizia minha mãe! A "velha papuda" era uma mendiga que tinha bócio - tireóide aumentada - e a referência à esta senhora era recurso muito usado pra "tocar o terror" na criançada da minha época.), um circo com elefante chegando e desfilando pelas avenidas da cidade (claro que eu segui, claro que veio a bronca), o nascimento da minha irmã caçula. Estes fatos ocorreram quando eu tinha entre 3 e 6 anos de idade. Eu era a filha do meio, dos três que nossos pais tiveram, com um intervalo de quatro anos entre meu irmão mais velho e eu, e três anos e cinco meses entre eu e minha irmã caçula. Destas lembranças, fragmentos de duas que marcaram...

02 - O Elefante

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Os circos de antigamente carregavam - além dos palhaços, equilibristas, etc - animais. Crianças pobres de uma cidade do interior, distantes da capital e de um zoológico, sem TV e com poucos livros tinham pouquíssima chance de ver um elefante ao vivo. Mas eu vi e, junto com meu irmão mais velho, corremos atrás da procissão que acompanhava a trupe e o elefante. O curioso é que esta cena me chega à memória em preto e branco. Por que? Uma das razões, possivelmente, é por ter visto muitas fotografias em P&B naquele época. E as únicas cores que tinham as fotografias era dada artesanalmente, pelo fotógrafo, em pós edição - nada de ferramentas digitais, gente, era no lápis preto, no pincel e na aquarela. Nossa mãe era fotógrafa. Lembro das orelhas enormes, da tromba, daquele corpo pesado e cinza andando vagarosamente! Que criança não ficaria fascinada? Medo? Pelo visto nenhum, porque corremos atrás, junto com a pequena multidão que seguia com eles (a minha "pequena multidão...